Os participantes, em sua grande maioria,
são jovens cheios de sonho, de diversas origens e
distintas condições sociais e culturais. Eles não se
conhecem, mas têm algo em comum, todos querem ganhar o
cobiçado prêmio. Para isso não podem ter nenhuma
dificuldade em se expor, pois, ao aceitarem o desfio de
serem vigiados 24 horas por dia, abrem mão da própria
privacidade.
Na casa, ninguém tem compromisso com nada
e ninguém, e não precisa ter preocupação sequer com a
própria subsistência. Naquela verdadeira ilha da
fantasia, tudo é permitido, intrigas, brigas e romances,
em um contexto de muita festa e licenciosidade.
A cada edição algumas mudanças ocorrem
ainda que o espírito de competitividade permaneça sendo
a tônica. A preocupação de cada um para lá permanecer é
cair nas boas graças do povo, único critério seletivo
para ter a chance de sair vitorioso. Os espectadores
acabam desempenhando o papel de deuses, pois têm a
possibilidade de expulsar qualquer morador daquele
paraíso.
Na edição que acaba de iniciar, de forma
absolutamente surpreendente foram selecionados três
integrantes da população LGBT: uma lésbica, um gay e um
travesti que atua como drag queem, formando
o grupo chamado "os coloridos".
Depois da vitória do Jean, na 5ª edição
do BBB, um personagem discreto que só revelou sua
orientação sexual quase no final do programa, a mudança
é radical. Ao menos nesta bolha que retrata um mundo
ideal,
o preconceito não existe. De ninguém é
excluído o direito de viver em
um mundo que procura retratar as pessoas como elas são.
Como a televisão está
presente na grande maioria dos lares, é significativo
que todos vejam que há a possibilidade de um convívio
respeitando as diferenças. Todas as pessoas são iguais,
pois todas elas, sem exceção, só querem ter a chance de
ser feliz.
Certamente deste compromisso tomou
consciência
a produção do BBB ao permitir que os
brasileiros apreendam a ser tolerantes e a conviver com
o outro sem discriminar, agredir ou matar pelo só fato
de o outro ser diferente.
Diante de uma sociedade ainda tão
homofóbica, em que a diversidade sexual não é
respeitada e a homoafetividade ainda não obteve
reconhecimento legal, a experiência só pode ser
promissora. Afinal, "big brother" significa "grande
irmão" e a fraternidade precisa mesmo ser cultivada.
Maria Berenice Dias
Advogada especializada em Direito Homoafetivo
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