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Eurovision e a cena musical brasileira
Como já disse
anteriormente, o Eurovision tem sido referência musical,
desde a muito, na Europa, visto ser o maior festival do
planeta e uns dos mais longínquos (Ao que parece, apenas
o Festival de San Remo, na Itália, seja mais antigo). A
importância é inegável, uma vez que o mesmo já revelou e
recebeu grandes celebridades: ABBA, Celine Dion, Lara
Fabian, Julio Iglesias, Olivia Newton-John, Dulce
Pontes, apenas para citar alguns. Embora esta
notoriedade, as músicas e os artistas eurovisivos ainda
são desconhecidos, ou não reconhecidos, no Brasil.
Isso se deve a uma
resistência, pelo menos aqui no sul, às novidades. As
pessoas estão acostumadas a ouvir artistas consagrados e
seus “enlatados norte-americanos”. Não que a cena pop
ianque não influencie a Europa, afinal a Grande Maçã é
um pólo de cultura. Mas nos restringir a isso é algo
assustador. Creio que nossas divas Madonna e Cher (que
participou do San Remo quando este era a pré-seleção da
Itália para o Eurovision, em 1967) possam muito bem
conviver em harmonia com as talentosíssimas Sertab
Erener, Helena Paparizou, Anna Vissi, Ani Lorak,
Karolina Goćeva, Patricia Kass. As pistas de dança podem
muito bem tocar Britney, Beyoncé, Lady Gaga em companhia
de Svetlana Loboda, Kalomira, Sirusho, Charlotte Perreli,
Tina Karol, isto para citar apenas as eurovisivas, pois
este universo se amplia quando visualizamos artistas que
estiveram às portas do festival (participando de finais
nacionais) ou ainda indo mais longe, analisando o Velho
Continente como um todo.
Existe muita qualidade musical na Europa que não é
explorada aqui. Quantas baladas balcânicas perdemos,
apenas porque não compreendemos as línguas eslavas
(embora muitos não compreendam, tampouco, o inglês)???
Quantos “dances” nós desperdiçamos, porque os toques
tradicionais, que os recheiam, são considerados
antiquados??? Quantas composições significativas,
quantos compositores, são relegados ao título de
“ridículos”???
Querem um exemplo??? A banda Sistem of a down é
composta por descendentes de armênios!!! Eles são
engajados nas questões políticas da Armênia... Outra
banda, Nightwish, participou da seletiva da
Finlândia (seu país de origem) para o Eurovision de
2000. Foi a preferida do público, mas preterida pelo
júri, que escolheu outra artista, Nina Åström. Apesar do
sucesso na Europa, apenas os conhecemos após a
notoriedade nos Estados Unidos.
Inclusive, muitos artistas abdicam de cantar em seus
próprios idiomas para cantar em inglês, afim de alcançar
um público maior. Mesmo o ABBA, o grupo mais
conhecido que participou do festival, parece que fez uma
única canção, Dancing Queen. Muitos DJs esquecem
de Waterloo, a canção que levou o caneco para a
Suécia em 1974, outros esquecem que grandes divas já
beberam desta fonte em suas composições (de onde vocês
acham que vem aqueles samples no começo de Hung up???).
Não quero desmerecer os artistas que estão por ai,
apenas quero mostrar outras vias, outras propostas,
outras ópticas de música para não alienarmos nossas
mentes e ouvidos. Como disse anteriormente, “enlatados”
são muito bons, pois basta abrir e curtir. Mas desbravar
novas culturas, novos conceitos, são atitudes corajosas
que devem ser incentivadas. Por isto, coloco a vocês,
leitores, outro desafio: aqui estão algumas canções de
minha preferência.
Ouçam.
Depois se perguntem: “Será que dá balada???”. Eu acho
que sim.
Qele qele (Armênia 2008)
Carry me in your dreams (Albânia 2009)
Vrag naj vzame (Eslovênia 2008)
Just Get Out of My (Montenegro 2009)
Secret combination (Grécia 2008)
La noche es para mí (Espanha 2009)
Hero (Suécia 2008)
Lose control (Finlândia 2009)
Shady lady (Ucrânia 2008)
Düm tek tek (Turquia 2009)
E, acima de tudo... Aproveitem!!!
Duda Saturno
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