Perfil do Colunista

  • Weel Castilhos
  • 37 anos
  • Casado
  • Jornalista
  • Taurino
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Coluna Well Castilhos

 
 


Politicamente incorreto


   

Politicamente incorreto

 

 

 

Ultimamente tenho assistido ao Big Brother Brasil 10 e percebido que de 10 o programa só tem o nome – aquilo é 0! Em vez de aprender, desaprendemos. O programa, na realidade, presta um desserviço à população. Incrível como a edição que se propunha a ser a mais diversa e educativa em relação à sexualidade acabou se tornando a mais conservadora e preconceituosa de todas. O resultado da semana passada (de 23/02), por exemplo, reafirmou a vigência no país de valores conservadores acerca da sexualidade entre o público que assiste o programa – 55% dos 77 milhões de votos eliminaram Angélica, a moça lésbica. Pior do que isso: mantiveram o Dourado, um cara já conhecido do público como misógino e homofóbico.

 

Particularmente não acho que a razão para saída de Angélica tenha sido a lesbofobia ou que o público a tenha tirado por sua orientação sexual. Não posso afirmar que tenha sido isto que mais pesou no resultado. Mas posso afirmar, com certeza, que se vivêssemos em um país onde sua população reprove a misoginia, o machismo, a homofobia ou qualquer tipo de desigualdade de gênero – como os países nórdicos, por exemplo – o Dourado é que tinha sido eliminado. No programa de ontem (02/03), por exemplo, ele foi “emparedado” com duas outras mulheres. E apesar de ter sido ele o participante que afirmou em cadeia nacional que quebraria o dedo de outra participante (por acaso, a Angélica) se estivesse fora da casa, e ter dito “pérolas” como “homens heterossexuais não contraem HIV” e “homossexualidade é opção”, ele mais uma vez se safou com ótima margem de votos favoráveis à sua permanência (apenas 11% dos 92 milhões de votos foram pela saída dele do programa). Da noite para o dia, ele se tornou herói nacional, o bom moço – autêntico e boa praça.     

 

Concordo com a análise de meu amigo Cláudio Nascimento: “Ele é um exemplo do machismo no Brasil, mas é apenas a ponta de um iceberg que ainda associa os homossexuais à Aids e que trata a mulher como objeto. Sua manutenção no programa sinaliza que, em parte, a sociedade comunga com as suas opiniões”.

 

Sim, sabemos que vivemos em uma sociedade machista e patriarcal, mas isto não quer dizer que devamos permanecer assim pra sempre. Pra isso existem os movimentos sociais, como o feminista e o LGBT, e a permanência do Dourado coloca em risco o trabalho de décadas destes movimentos.

 

É claro que não se deve votar em ninguém – mesmo sendo pela permanência de alguém no BBB – por conta da orientação sexual ou cor desta pessoa, mas convenhamos.... Eliminar a Angélica e a Cacau e deixar o Dourado já é demais, não é? Parece que as pessoas estão se opondo ao “politicamente correto” e isto é um risco.

 

Então, depois de dar a vitória ao Dourado no BBB 10 – o que pode acontecer, infelizmente – vamos estar habituados a fatos como o acontecido na Uniban e outras Geyses serão avacalhadas nas universidades, no supermercado, na academia etc.  O mundo é dos homens heterossexuais mais toscos e brucutus?

 

Se bem que levanto aqui uma suspeita: não foi estranha a eliminação de ontem (02/03) da Cacau? Será que tem alguma relação com o fato de ter “rolado um clima” entre ela e a Angélica? Mais estranho ainda foi a votação de 92 milhões de votos. Normalmente recordes como esse acontecem quando existem dois fortes opositores se enfrentando no “paredão”, e os votos são mais ou menos divididos depois de uma disputa acirrada. Ontem não aconteceu isso – Cacau recebeu 62% destes 92 milhões, a problemática da Lia 26% e o “adorável” Dourado 11%. Ou seja, pessoas votaram quase 92 milhões de vezes para tirar um só participante? Ela foi quase unanimidade dessa votação toda? Desta vez francamente acho que houve manipulação de resultados, só gostaria de saber qual a culpa da moça.

 

     *Well Castilhos é jornalista e ativistae LGBT, nascido em Porto Alegre, mora no Rio, onde coordena o website do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CLAM/UERJ) – www.clam.org.br – e o blog Santa Diversidade (www.santadiversidade.blogspot.com) e milita no Movimento LGBT carioca.

 


 

 



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